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Chuva nos próximos dois meses será determinante para segunda safra de milho

Plantio fora da janela ideal provoca cortes nas estimativas de produção do cereal

Em Goiás, cerca de 70% da área deve ser plantada fora da janela considerada ideal, aumentando o risco climático — Foto: Paulo Kurtz/Embrapa

O atraso no plantio da segunda safra de milho, também conhecida como safrinha, aumentou a exposição da cultura a riscos climáticos, que agora necessita de chuvas nos próximos dois meses. As precipitações são mais do que bem-vindas para o período de enchimento de grãos, uma vez que a safra já está perdendo potencial produtivo.

De acordo com o Itaú BBA, os prognósticos de clima indicam maior irregularidade das chuvas ao longo do outono, com tendência de redução gradual, sobretudo a partir de maio. Esse cenário amplia o risco de estresse hídrico, especialmente em áreas semeadas mais tardiamente.

“Em regiões como Goiás, Matopiba [confluência entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia] e parte de Mato Grosso do Sul, a combinação de plantio atrasado e encurtamento da janela de chuvas pode limitar o potencial produtivo. Em Mato Grosso, onde o plantio foi mais adiantado, a exposição ao risco climático é menor, embora ainda dependa da distribuição das chuvas”, disse o Itaú BBA, em relatório.


Dado mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta que o plantio de milho safrinha no Brasil chegou a 95% da área esperada para 2025/26, abaixo dos 98% semeados um ano antes.

Apesar de estar praticamente encerrado, a análise do Itaú BBA mostra que o plantio da segunda safra ficou abaixo da média histórica em parte de fevereiro, refletindo o atraso na colheita da soja em diversas regiões do Centro-Oeste. Em Goiás, cerca de 70% da área deve ser plantada fora da janela considerada ideal, aumentando o risco climático. Em Mato Grosso, esse percentual é estimado em cerca de 18%.

Esse cenário adverso para a safrinha de milho levou a StoneX a reduzir sua estimativa de produção para a cultura, que deve alcançar 106 milhões de toneladas, ou 0,6% a menos que o projetado em março. Na temporada 2024/25 foram mais de 112 milhões de toneladas de milho safrinha colhidas.

De acordo com a StoneX, o ajuste decorre, principalmente, da revisão de área plantada em alguns Estados, com reduções em São Paulo e Mato Grosso, também em função dos atrasos no plantio.

Além das questões de área, o clima permanece como um fator de atenção. A StoneX ressalta que algumas previsões meteorológicas indicam volumes de chuva abaixo da média em abril. Esse cenário levou a uma pequena redução da produtividade esperada no Paraná, segundo maior produtor de milho safrinha do Brasil. O Estado deve colher 16,8 milhões de toneladas neste ciclo, ou 1,8% a menos que o esperado em março.

Preços

O Brasil planta três safras por temporada, e a safrinha é a mais importante delas, já que abastece os mercados interno e externo. Esse cenário de preocupação com a oferta no país mexeu com os preços. Na bolsa de Chicago, o milho subiu 5,7% em março, impactado por fatores de demanda nos EUA, e também pelo alerta para a safra brasileira.

“Há um risco maior em saber qual o tamanho da nossa safrinha. Isso mexe com preço, pois não há uma visão clara sobre a oferta de milho, enquanto a demanda, principalmente para o etanol, se mostra firme”, diz Marcela Marini, analista sênior de grãos do Rabobank.

No mercado brasileiro, o cenário para preços é semelhante, ressalta o Itaú BBA. Na parcial de março, as cotações mostram recuperação após queda em fevereiro. Em Campinas (SP), a alta é de 3,5%, com preços a R$ 70 por saca, refletindo o movimento externo e as incertezas relacionadas à segunda safra.

Fonte: Globo Rural

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